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Contos, Lendas e Poesia

Contos, Lendas e Poesia

17
Jun07

Ninguém faz nada sozinho

contoselendas

         Pelos idos do século XV, em uma minúscula vila perto de Nuremberg , viveu uma família com dezoito crianças. Dezoito! Para manter comida sobre a mesa para toda esta multidão, o pai, um ourives por profissão, trabalhava quase dezoito horas diárias em seu comércio e algum outro servicinho que encontrasse na vizinhança. Apesar da condição aparentemente impossível, duas das crianças mais velhas tinham um sonho.  
         Ambos queriam perseguir seu talento para a arte, mas sabiam perfeitamente que seu pai nunca teria condição financeira para mandar qualquer um deles à Nuremberg , estudar na academia.
         Depois de muitas e longas discussões durante a noite, os dois meninos decidiram fazer um pacto. Lançariam uma moeda. O perdedor iria trabalhar nas minas e, com seu salário, pagava os estudos do irmão na academia. Então, quando o irmão vencedor terminasse os estudos, após quatro anos, reembolsava os estudos do outro irmão na academia, com a venda de sua arte ou, se necessário, também trabalhando nas minas.  
         Lançaram a moeda em uma manhã de domingo. Albrecht Durer ganhou e foi para Nuremberg . Albert foi trabalhar nas perigosas minas, pelos quatro anos seguintes, financiou seu irmão, cujo trabalho na academia foi um sucesso imediato. A arte de Albrecht superava, em muito a maioria de seus professores, e rápido se formou, já ganhava consideráveis comissões por seus trabalhos.
         Quando o artista voltou à sua vila, a família fez uma festa em sua homenagem para comemorar o retorno triunfante de Albrecht . Após uma refeição farta e memorável, com música e risos, Albrecht levantou-se de sua posição na cabeceira da mesa para propor um brinde a seu amado irmão, pelos anos de sacrifício que tinha permitido a Albrecht realizar seu sonho. Suas palavras foram:
         - E agora, Albert , meu irmão adorado, agora é a sua vez. Agora você pode ir à Nuremberg perseguir seu sonho, e eu cuidarei de você.
         Todas as cabeças giraram em ansiosa expectativa para a extremidade oposta da mesa onde Albert se sentou. Lágrimas humedeceram sua pálida face. Agitando a cabeça baixa repetiu,
         - Não... Não... Não... Não...
         Finalmente, Albert se levantou, limpou as teimosas lágrimas e, passando o olhar por todos à volta da mesa, disse suavemente:
         - Não, meu irmão. Eu não posso ir para Nuremberg . É muito tarde para mim. Veja o que quatro anos nas minas fizeram às minhas mãos! Os ossos de cada dedo foram despedaçados pelo menos uma vez, e ultimamente tenho sofrido de artrite.  
         Com minha mão direita mal consigo segurar um copo para retornar seu brinde, faço muito menos conseguiria traçar linhas delicadas, no papel ou na tela, com uma pena ou um pincel. Não, meu irmão... para mim é muito tarde.
         Mais de 450 anos se passaram. Agora, centenas de obras de Albrecht Durer estão expostas pelos grandes museus do mundo. E, provavelmente, lhe é familiar, tanto quanto para a maioria das pessoas, apenas um dos trabalhos de Albrecht Durer . Mais do que meramente familiar, talvez você tenha uma reprodução em sua casa ou escritório.
         Um dia, por respeito e admiração a Albert por tudo que tinha sacrificado, Albrecht Durer detalhadamente desenhou as maltratadas mãos de seu irmão com as palmas juntas e os finos dedos voltados para o céu. Chamou sua obra simplesmente de "mãos," mas o mundo inteiro, quase imediatamente, abriu seus corações para esta grande obra-prima e renomeou seu tributo ao amor de "Mãos em oração".

         Este texto cujo Autor desconheço recebi à dias por e-mail. Verdade ou Mentira não deixa uma pessoa indiferente.

10
Jun07

Eu pedi a Deus

contoselendas

Eu pedi a Deus que tirasse meu orgulho.
E Deus disse não!
Não lhe cabia tirá-lo, mas a mim deixá-lo...

Eu pedi a Deus que me desse paciência.
E Deus disse não!
Ele disse que a paciência nasce das atribulações;
Ela não é concedida, é merecida...

Eu pedi a Deus que me concedesse felicidade.
E Deus disse não!
Ele disse que me daria Suas bênçãos;
A felicidade viria de mim mesmo...

Eu pedi a Deus que me poupasse do sofrimento.
E Deus disse não!
Ele disse que a dor afasta-me das ilusões da vida
e leva-me para mais perto d’Ele...

Eu pedi a Deus que me fizesse crescer minha vida espiritual.
E Deus disse não!
Ele me disse que eu deveria crescer sozinho,
mas Ele vai podar-me como um ramo, para que produza frutos...

Eu perguntei a Deus se Ele me ama.
E Deus disse sim!
Ele deu-me Seu Único Filho, que morreu por mim
E quer-me um dia no céu, pela minha Fé...

Então, pedi a Deus que me ajudasse
a amar os outros como Ele me ama.
E Deus disse:
"Finalmente compreendeste!"

 

Mafalda Veiga

05
Jun07

Nosso romance

contoselendas

Houve um tempo

Em que tudo foram rosas

Flores….e tudo o que

Há de belo.

Entre nós existia

Uma harmonia, uma cumplicidade,

Um amor, uma Paixão.

Tudo que nasce também morre.

Foi bom enquanto viveu

Nosso romance

Pois minha paixão por ti

Só minha morte a levará

Para um lugar no

Paraíso

Mesmo que para tal

Tenha de prescindir do

Meu lugar

Se a isso tiver direito.

 

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